A menopausa ainda é cercada de silêncio. Muitas mulheres chegam ao consultório sem entender o que está acontecendo com o próprio corpo — e, muitas vezes, sem sequer ter falado sobre isso com o ginecologista. Este texto é para quebrar esse silêncio.
O que a queda do estrogênio faz na pelve
Quando o estrogênio cai na menopausa, os tecidos do trato urogenital sofrem mudanças reais e mensuráveis. A mucosa vaginal fica mais fina, mais seca e mais frágil. Os ligamentos de suporte dos órgãos pélvicos perdem elasticidade. A musculatura do assoalho pélvico tende à atrofia — e, com isso, o risco de incontinência urinária e de prolapso aumenta.
Esses processos têm um nome técnico: síndrome geniturinária da menopausa (SGM). Afeta entre 50 e 60% das mulheres na pós-menopausa. É subdiagnosticada, subtratada e, principalmente, pouco falada.
O que você pode sentir — e que não precisa aceitar
- Secura vaginal: ardência, irritação, desconforto ao caminhar ou usar roupas
- Dor na relação sexual (dispareunia): um dos sintomas mais frequentes e mais impactantes na qualidade de vida
- Urgência urinária: vontade súbita e intensa de urinar, muitas vezes com perda antes de chegar ao banheiro
- Infecções urinárias de repetição: a atrofia vaginal altera o pH local e favorece infecções
- Queda do desejo sexual: influenciada tanto pela queda hormonal quanto pelo desconforto físico
Nenhum desses sintomas precisa ser aceito como "normal da idade". São condições tratáveis.
O papel da fisioterapia pélvica nessa fase
A fisioterapia pélvica não repõe o hormônio — mas age exatamente onde o hormônio perdido deixou suas marcas.
O trabalho com os tecidos vaginais (por meio de técnicas manuais e dilatadores calibrados) estimula a vascularização local, mantém a elasticidade e reduz a dor. O treinamento do assoalho pélvico previne e trata a incontinência e o prolapso. A abordagem do desejo sexual e da dispareunia integra o cuidado com o corpo e com a narrativa que cada mulher tem sobre si mesma nessa fase da vida.
Quando associada à terapia hormonal (quando indicada pelo ginecologista), a fisioterapia pélvica potencializa os resultados de ambas as abordagens.
Uma nota sobre o tempo
Muitas mulheres esperam anos antes de buscar ajuda — às vezes porque acharam que era "normal", às vezes porque sentiram vergonha, às vezes porque nunca lhes disseram que existia tratamento. Mas os tecidos respondem à estimulação em qualquer idade. Não há momento "tarde demais" para cuidar da saúde pélvica.
Se você está na menopausa e reconhece algum desses sintomas, marque uma avaliação. Seu corpo merece atenção — não resignação.



